Para tirar a Mata Atlântica da beira da extinção, organizações ambientalistas, universidades, empresas e governos assinaram no início de abril, em São Paulo, o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, que tem o objetivo de incentivar o uso econômico de áreas degradadas da floresta para tentar recuperar 15 milhões de hectares de sua vegetação até 2050. A iniciativa promove a recuperação da floresta em larga escala por meio da integração de ações e da ampliação do alcance dos projetos, criando sinergias entre os diferentes agentes que atuam na região.
Hoje, restam apenas 7,26% da mata no país (de 1,36 milhão de quilômetros quadrados no total). Outros 13%, seriam fragmentos em diferentes estágios de conservação, que necessitam de ações de proteção. Com a restauração pretendida, essa parcela saltaria para aproximadamente 30%.
Seguindo essa meta, a VCP faz a sua parte e calcula o seu inventário de carbono desde 2005 nas unidades Jacareí e Florestal, em plena Mata Atlântica. Inovadora no setor, a empresa informa o balanço de CO2 em seu processo - do viveiro à entrega da celulose nos portos, e faz o levantamento que permite obter a "pegada ecológica" da VCP. Para cada uma tonelada emitida, a empresa seqüestra dez toneladas do gás, um saldo positivo, tendo em vista a recuperação das áreas degradadas da floresta.
Uma das intenções dos signatários do pacto é incentivar os proprietários de áreas degradadas da Mata Atlântica, e sem potencial econômico, a executar projetos de recuperação da vegetação que poderiam trazer retorno econômico. Durante dois anos, especialistas de algumas das principais organizações que atuam no bioma da Mata Atlântica fizeram um mapeamento que identificou a localização dos mais de 15 milhões de hectares de áreas degradadas potenciais para recuperação. A meta, no entanto, esbarra em fatores econômico-financeiros. Em valores atuais, a restauração de toda essa área custaria US$ 1 mil por hectare, totalizando US$ 15 bilhões.
Diante disso, proprietários rurais, por exemplo, poderiam se beneficiar com a adequação legal de suas terras e eventuais ganhos financeiros por seqüestro de carbono e outros serviços ambientais. Áreas de pastagens com baixa produtividade poderiam ser transformadas em florestas manejadas com alto rendimento econômico. A Mata Atlântica abriga 60% das espécies ameaçadas de extinção no Brasil. Atualmente, vivem nela 122 milhões de pessoas.