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A Votorantim Celulose e Papel (VCP) vai aumentar seu investimento em mais de 40% em 2007. O valor chegará a R$ 785 milhões.
A fabricante decidiu elevar os recursos para fortalecer sua base florestal, principalmente em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, onde erguerá uma fábrica de celulose, prevista para 2009.
"Já temos terras suficientes para o início da operação da unidade industrial, mas estamos investindo para o futuro", disse o diretor financeiro e de relações com investidores da VCP, Valdir Roque. A previsão era investir R$ 550 milhões em 2007, mesma cifra empregada no ano passado.
Os investimentos são estratégicos. A empresa notou que as terras na região de Três Lagoas, onde já existem dez a doze usinas de açúcar e álcool sendo construídas, estão se valorizando.
"Existe competição com cana-de-açúcar, soja e pasto. Precisamos de terras para o eucalipto", explicou Roque. De acordo com o executivo, os valores do hectare situam-se na faixa de US$ 1,2 mil.
A empresa, que fez a troca de uma fábrica de papel em Luiz Antônio (SP) por um projeto de celulose que pertencia à International Paper (IP), ficou com cerca de 110 mil hectares de florestas em Três Lagoas.
Do total de R$ 785 milhões, os investimentos nas florestas receberão o maior volume de recursos: R$ 459 milhões. Individualmente, a base florestal de Três Lagoas ficará com R$ 236 milhões, dos quais R$ 67 milhões já foram aplicados no primeiro trimestre. A compra de terras vislumbraria uma eventual duplicação da unidade de celulose na região.
Segundo Roque, a fábrica de Três Lagoas, cujo investimento ficará ao redor de R$ 3 bilhões, deve apresentar custos mais competitivos do que outras fábricas, incluindo Jacareí (SP), a maior unidade da VCP. "As florestas estão 57 quilômetros distantes do local onde ficará a fábrica. Em Jacareí, essa distância é de 280 quilômetros."
A VCP passou por uma mudança radical em 2006 modificando sua estrutura de produção, com foco maior em celulose do que papel (ver ao lado). Além de Mato Grosso do Sul, cujo projeto recebeu o nome de "Horizonte", a VCP possui outra frente de expansão em celulose, no Rio Grande do Sul, conhecida como projeto "Losango". Assim como Três Lagoas, o projeto gaúcho deve produzir mais de 1 milhão de toneladas de celulose e entrar em operação em 2011.
Ambos os projetos farão a VCP triplicar sua produção de celulose para mais de 3 milhões de toneladas. "A VCP está em dois pólos de crescimento. Anos atrás, estávamos em último lugar nesta corrida. Hoje, ficamos na frente de todos", afirmou Roque. A meta do plano estratégico da VCP é chegar a 6 milhões de toneladas em 2020.
No primeiro trimestre de 2006, a VCP teve lucro de R$ 163 milhões, com alta de 3% sobre igual período do ano passado. É o primeiro balanço da companhia depois da troca de ativos com a IP.
A companhia do grupo Votorantim contou com receitas financeiras - impacto do câmbio sobre a dívida - que acabaram sendo afetadas pela amortização de ágio com a venda de uma unidade de papel.
"O resultado, na verdade, se deveu ao nosso esforço de reduzir custos e despesas para se adequar à realidade cambial", disse Roque, classificando o desempenho no primeiro trimestre como "excepcional".
A receita líquida cresceu 9% e atingiu R$ 724 milhões. A empresa vendeu 13% a mais em celulose (255 mil toneladas) e teve receita de R$ 307 milhões. Em papel, as vendas somaram 159 mil toneladas (alta de 3%) e R$ 417 milhões, 2% superior. A geração operacional de caixa, medida pelo lajida, foi de R$ 233 milhões e recuou 5%. A dívida líquida teve um recuo expressivo de 24%, ficando em torno de R$ 1,36 bilhão.
Valor Econômico – Empresas/Indústria – 19/04/2007 – Pág. B8
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